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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Surto de águas-vivas é fenômeno natural, dizem especialistas


O surto de águas-vivas no litoral do Paraná é um fenômeno natural. Fatores como os ventos e as correntezas contribuíram para a concentração das águas-vivas entre as regiões de Guaratuba e Paranaguá. Essa é a conclusão de pesquisadores da Universidade Federal do Paraná, da Universidade de São Paulo, do Instituto Ambiental do Paraná e da secretaria da saúde, que investigaram durante dias o aumento dos casos de acidentes com banhistas nas praias do Paraná. O secretário estadual do meio ambiente, Jonel Iurk, diz que esse fenômeno sempre existiu no litoral.
Agora, vai ser criado um grupo de monitoramento permanente para que sejam sinalizados com maior precisão os locais onde as ocorrências são mais comuns. Desde o início da operação verão, no dia 16 de dezembro, cerca de treze mil e trezentas pessoas foram queimadas por águas-vivas no litoral do estado.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Surto de águas vivas no Litoral são investigados



A Secretaria de Estado da Saúde está aprofundando as investigações sobre o surto de acidentes com águas-vivas que ocorre no Litoral do Paraná neste verão. Uma equipe do Departamento de Vigilância em Saúde começou a coletar amostras de animais para análise, identificação e determinação do nível de gravidade da situação.

O trabalho conta com o apoio das secretarias municipais de saúde do Litoral e também do Corpo de Bombeiros, que até esta terça-feira (24) havia registrado 6.150 casos. Por conta disso, os Bombeiros impediram a realização de uma prova de natação e interditaram um trecho da praia central, em Guaratuba, no domingo.

“A interdição é uma medida pontual, que os guarda-vidas podem adotar excepcionalmente, quando o número de casos é muito grande em um local específico. Em Guaratuba, o problema é que havia caravelas, que são animais com maior poder tóxico e que provocam acidentes mais graves”, explicou o tenente-coronel Edmilson Barros, do Corpo de Bombeiros.

De acordo com a médica Lenora Rodrigo, que está avaliando os pacientes atendidos nos hospitais, os registros mostram que a grande maioria dos casos verificados até o momento é de lesões leves. “A maioria dos casos é de acidentes leves e a ardência provocada pelo contato com o animal é resolvida na praia mesmo, com o apoio dos guarda-vidas, que estão preparados para atender”, disse ela.

Segundo a médica, em geral apenas pessoas mais sensíveis, ou alérgicas, crianças e idosos podem ter reações mais graves de pele, chegando a provocar quadros como náuseas, vômitos, tremores, tosse e dores musculares. “De qualquer forma, é importante que as pessoas procurem o serviço hospitalar após um acidente com águas vivas, para avaliação de um médico”, afirma Lenora.

Este foi o caso do menino Lucas Veríssimo, de 5 anos. Ele tocou uma água-viva com o pé esquerdo, quando saía da água, e foi levado ao Centro de Recuperação de Afogados, instalado pela Secretaria da Saúde no Hospital Nossa Senhora de Navegantes, em Matinhos. Desde o início da operação verão foram atendidos 160 casos de acidentes com águas-vivas nesta unidade.

O biólogo Emanuel Marques, que acompanha o trabalho de coleta de águas-vivas no Litoral, disse que está em contato com especialistas da Universidade Estadual Paulista e do Centro de Estudos do Mar, da Universidade Federal do Paraná, a fim de identificar as espécies de animais que estão ocorrendo em maior número no litoral paranaense, verificar a gravidade dos casos e traçar uma estratégia de ação.

Até o momento, as espécies mais comuns identificadas durante a captura foram a Olindias sambaquiensis, que é endêmica do litoral paranaense, a Chrysaora lactea, e a Physalia physallis (caravela). Por enquanto não é possível afirmar qual é o motivo da presença de um número tão grande inesperado desses animais na região.

De acordo com o biólogo, há registros de casos semelhantes desse fenômeno em outras partes do mundo, como no Japão, no golfo do México e no Mar Mediterrâneo. Correntes marinhas, ventos, desequilíbrio ambiental e fenônemos como o La Niña, entre outros, podem estar entre os fatores causadores.